A humidade paira no ar e cada fio do meu cabelo dirige-se para sentidos opostos. Despenteada e com a cabeça num reboliço, olho para ti. És pequeno quase do tamanho de uma folha seca do Outono passado. Os teus olhos azuis e labios carnudos fazem estremecer o meu pequeno "eu" existente neste corpo duas vezes maior que o teu.
Vejo a minha imagem reflectida no cristalino dos teus olhos, e no meu olhar vejo a tua límpida alma de criança. Sem segredos e qualquer pingo de maldade, olhas para mim e reconheces-me. Sou uma desconhecida que a partir de alguém, um dia te conheceu.
Desenhei-te. Ficaste lindo ...
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