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sábado, 21 de setembro de 2013

À luz do dia , olhas me de verde alaranjado

Estavam húmidos!
Percorri a minha mão tremelitante sobre a tua face, tocando te em pontos consecutivos. Pele húmida e salgada que me atormentava e me obrigava a acariciar como que se tivesse receio que secasse. Passava os dedos pelos teus lábios e estes secos, gretados e sem cor, pediam a sua companhia habitual. A verdade é que nem esta estava apta para os humedecer depois de tanta secura e excreção desnecessária. Aproximo-me e sentes o vento da minha aproximação, o odor do meu corpo, e o hálito quente que comunicava com o teu. O frio que nos rodeava enfraquecia-te e tornava-te rígido, e a mim , nervosa com medo que te partisses.Eras tão frágil! Procurava consolar-te e compensar-te por todo o mal. Queria proteger-te e fortalecer-te para que me conseguisses proteger minutos depois.
Ambos, frágeis, adormecemos…
Engraçado como é crucial o ambiente pesado , para darmos valor à leveza do amor!
E foi assim que a menina tartaruga se apaixonou pelo peixe dourado.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Está escuro


A humidade paira no ar e cada fio do meu cabelo dirige-se para sentidos opostos. Despenteada e com a cabeça num reboliço,  olho para ti. És pequeno quase do tamanho de uma folha seca do Outono passado. Os teus olhos azuis e labios carnudos fazem estremecer o meu  pequeno "eu" existente neste corpo duas vezes maior que o teu. 
Vejo a minha imagem reflectida no cristalino dos teus olhos, e no meu olhar  vejo a tua límpida alma de criança. Sem segredos e qualquer pingo de maldade, olhas para mim e reconheces-me. Sou uma desconhecida  que a partir de alguém, um dia te conheceu.
Desenhei-te. Ficaste lindo ...

domingo, 15 de setembro de 2013

Insana

As paredes engrossadas  impedem que o meu sangue flua à velocidade que deve.  Inspiro e expiro mais que cinco vezes, e nem assim atinge a outra extremidade. As minhas perras e frias pernas recusam-se a andar , e o espesso e frio sangue que em mim circula, congela o meu corpo como se fosse um dia de inverno. Os músculos tremelitantes e o ranger dos dentes , procuram o calor que a minha alma se recusa a oferecer. Mas de onde vem este frio todo? - pergunto-me. Comprimo os músculos e aperto as mãos com toda a pouca força que possuo. As rentes unhas que ainda tenho, arranham-me a pele. 
A distancia entre mim e a serenidade tende a aumentar. Torno-me insana.  Imagens e ideias estupidas inundam o meu cérebro pouco oxigenado. Movimentos espásticos caracterizam o meu corpo.  
Estou longe do normal, e perto do irreal.
Vejo-te. Continuas nessa bolha de camada dupla e inquebrável.